Maior espécie de tartaruga marinha do mundo foi encontrada encalhada na Praia de Itaipuaçu. Embora a causa da morte não possa ser confirmada devido ao avançado estado de decomposição, exames identificaram grande quantidade de resíduos plásticos no sistema digestório do animal, reforçando o alerta sobre o descarte irregular de lixo.
Uma tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), considerada a maior espécie de tartaruga marinha do planeta, foi encontrada morta na, em, no último dia 3 de julho. O animal, já em avançado estado de decomposição, foi recolhido e passou por necropsia realizada pela equipe do Programa de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), executado pela empresa Econservation.
Segundo os técnicos, tratava-se de um exemplar adulto com aproximadamente 2,3 metros de comprimento e cerca de 200 quilos, um dos maiores animais marinhos registrados no litoral brasileiro.
Durante os exames, os pesquisadores encontraram grande quantidade de resíduos no trato digestório, principalmente sacolas plásticas e outros materiais semelhantes.
Apesar da descoberta, os especialistas ressaltam que não é possível afirmar com precisão que o plástico tenha sido a causa da morte, justamente por causa do avançado estado de decomposição em que o animal foi encontrado.

Plástico pode ser confundido com alimento
A descoberta reforça um problema conhecido pela ciência: a poluição dos oceanos.
Rodrigo Waves, criador de conteúdo especializado em previsão, análise e monitoramento das condições do mar, comentou o caso e explicou que tartarugas marinhas frequentemente confundem resíduos plásticos com alimento.
Segundo Rodrigo, o comportamento alimentar da espécie torna esse tipo de resíduo especialmente perigoso.
“As tartarugas confundem facilmente sacolas plásticas e outros materiais com alimento. Ao ingerirem uma grande quantidade desse material, isso pode, sim, levar à morte do animal.”
Ele também aproveitou o episódio para reforçar um alerta à população sobre a importância do descarte correto dos resíduos.
“Fica para nós a preocupação no que diz respeito ao combate aos resíduos descartados de forma indevida.”
Um alerta para o litoral de Maricá
Além de representar um importante registro da biodiversidade presente no litoral maricaense, o caso chama atenção para os impactos que o lixo descartado de forma inadequada pode causar aos animais marinhos.
Sacolas plásticas, embalagens e outros resíduos levados por rios, canais ou pelo vento acabam chegando ao mar, onde podem permanecer por décadas. Muitos desses materiais são confundidos com alimento por tartarugas, aves marinhas, golfinhos e diversas outras espécies, provocando obstruções no sistema digestório, desnutrição e, em muitos casos, a morte.
A situação serve de alerta para a população. Pequenas atitudes, como descartar corretamente o lixo, reduzir o consumo de plásticos descartáveis e recolher resíduos deixados nas praias, contribuem diretamente para a preservação da fauna marinha e ajudam a evitar que casos semelhantes se repitam.
A maior tartaruga marinha do planeta
A tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) é considerada a maior espécie de tartaruga marinha existente. Diferentemente das demais, ela não possui um casco rígido formado por placas ósseas. Seu corpo é revestido por uma espessa camada de pele resistente, característica que deu origem ao seu nome popular.
A espécie pode ultrapassar dois metros de comprimento, atingir mais de 600 quilos e realizar migrações de milhares de quilômetros pelos oceanos.
Classificada como vulnerável à extinção em nível mundial, a tartaruga-de-couro enfrenta diversas ameaças, entre elas a captura acidental em redes de pesca, a degradação das áreas de desova, as mudanças climáticas e a poluição por resíduos plásticos.
O que fazer ao encontrar um animal marinho encalhado?
O Programa de Monitoramento de Praias orienta que moradores e visitantes não toquem nem tentem remover animais marinhos encalhados, estejam eles vivos ou mortos.
A recomendação é acionar imediatamente a equipe responsável pelo monitoramento por meio do telefone:
📞 0800 999 5151
O serviço atende o trecho do litoral entre Paraty e Saquarema, incluindo, permitindo que equipes especializadas façam o resgate de animais vivos, realizem necropsias em animais mortos e coletem informações importantes para pesquisas e conservação da fauna marinha.
A ocorrência em reforça que a preservação dos oceanos depende também das atitudes de cada cidadão. Um simples saco plástico descartado de forma irregular pode percorrer quilômetros até chegar ao mar e representar um risco fatal para animais que habitam o litoral brasileiro.










