Por Arthur Soffiati
O cabo de São Thomé era temido desde os primórdios do século XVI, quando os europeus, sobretudo portugueses, começaram a navegar pela costa atlântica entre o Cabo do Calcanhar (Rio Grande do Norte) e o Rio da Prata. No Cabo do Calcanhar, o litoral faz uma acentuada curva de oeste para o sul. No Cabo de São Thomé, a costa faz uma curva no sentido norte-sudoeste.
O cabo do Calcanhar ganhará um primeiro farol em 1912. O cabo de São Thomé ganhará o seu em 1882. Era preciso advertir os navegantes quanto aos perigos dos baixios de São Thomé e da longa praia sem acidentes pedregosos até o rio Macaé. De fato, muitos navios naufragaram nesse trecho costeiro. Trata-se de uma questão a ser melhor pesquisada ainda.
O farol da Praia de São Thomé foi dedicado à princesa Isabel, já no final do Império do Brasil. Consta que foi projetado por Gustave Eiffel, o mesmo da Torre Eiffel, símbolo de Paris. A França tinha grande ligação com o Brasil até cerca de 1930, quando os Estados Unidos começaram a lançar seus tentáculos sobre o mundo. É mais provável que o farol tenha nascido no escritório Eiffel, pelas mãos de engenheiros que lá trabalhavam.
A torre do Farol tem 45 metros. Pertence à Marinha do Brasil, que o opera. Houve outros sinalizadores na praia, mas de pouca eficiência. O atual farol ganhou importância com as atividades navais incrementadas pela exploração de petróleo na Bacia de Campos e pelo porto do Açu.

Cabe lembrar que, até meados do século XIX, o transporte aquático, sobretudo marítimo, estava muito incrementado. As estradas eram de terra e dificultavam a ligação entre núcleos urbanos. A navegação de cabotagem se desenvolveu como alternativa aos longos percursos entre Santos, Rio de Janeiro, Macaé, São João da Barra, foz do Itabapoana e Itapemirim, para só ficarmos no setor sul da costa brasileira. Os faróis eram imprescindíveis para a navegação de cabotagem. Daí a importância do Farol de São Thomé.
Ladeando o grande farol, foram construídos o Farolzinho, na praia de Xexé, e outro na praia de Quissamã. Com o grande farol de São Thomé, começou a colonização da praia de mesmo nome. Gargaú, Atafona, Gruçaí e Açu já existiam como núcleos populacionais na grande restinga de Paraíba do Sul. A praia do Farol foi a última, mas tornou-se o maior núcleo urbano da restinga de Paraíba do Sul, com sua avenida central larga e arborizada. Com suas habitações espaçosas, com sua atividade pesqueira e, mais recentemente, com o heliporto da Petrobrás. Mas não sejamos tão entusiastas.








