Plataforma integra dados sobre emissões e absorções de gases de efeito estufa da Floresta Amazônica

Desenvolvida pelo Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa da USP, a ferramenta disponível ao público permite análises aprofundadas sobre a região e subsidia a formulação de políticas públicas mais eficazes

Plataforma com dados da Floresta Amazônica fornece informações científicas para orientar políticas ambientais - Foto: Andre Deak/Wikimedia Commons/CC BY 2.0

Informações sobre emissões e absorções de gases de efeito estufa da Floresta Amazônica na região que abrange nove países estão agora acessíveis ao público na plataforma Digital Amazon. Desenvolvida no âmbito do projeto Emissão de Gases de Efeito Estufa na Amazônia: Sistema de Análise de Dados e Serviço, do Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (Research Centre for Greenhouse Gas Innovation – RCGI) da USP, a ferramenta reúne dados dos países amazônicos e permite analisar, de forma integrada, a dinâmica regional desses gases, fornecendo informações científicas para orientar políticas ambientais. A plataforma pode ser acessada mediante cadastro no site do projeto neste link, com liberação de diferentes níveis de acesso conforme o perfil do usuário.

“Trata-se da primeira plataforma a reunir, de forma integrada, dados de satélite, torres de medição e outros sensores sobre o ciclo de carbono na floresta amazônica. Isso representa um avanço fundamental para a ciência e para a formulação de políticas públicas eficazes frente às mudanças climáticas”, afirma Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física (IF) da USP e coordenador do projeto.

A Digital Amazon organiza dados fundamentais para compreender o papel da Amazônia na dinâmica global dos GEEs — em especial dióxido de carbono (CO₂) e metano (CH₄) — a partir de uma base unificada de informações antes dispersas. Essa centralização permite que tarefas que antes exigiam dias de preparação e organização agora sejam concluídas em poucos minutos, aumentando significativamente a produtividade dos pesquisadores.

Paulo Artaxo - Foto: Arquivo pessoal
Paulo Artaxo, professor do IF-USP e coordenador do projeto – Foto: Arquivo pessoal

O sistema também permite resolver disparidades nos dados divulgados por diferentes satélites, que variam em resolução, periodicidade e tecnologia. Algumas análises possíveis incluem o impacto da degradação florestal nas emissões; os efeitos de El Niño e La Niña nas concentrações atmosféricas de GEEs; o cálculo das emissões de metano em áreas alagadas; e os efeitos da expansão agropecuária e das mudanças no regime de chuvas sobre os processos fotossintéticos da floresta.

Site e página de pesquisa da plataforma Digital Amazon – Foto: Arquivo pessoal

Os dados cobrem inicialmente o período entre 2003 e 2017, reunindo informações obtidas por satélites, torres como a ATTO (Amazon Tall Tower Observatory), sensores de superfície e bancos de dados meteorológicos e ambientais. O próximo passo é atualizar a base até 2024, o que ampliará o alcance temporal das análises e reforçará o monitoramento contínuo da região.

Gráficos apresentam dados de monitoramento da Floresta Amazônica (pressão atmosférica, temperatura, CO₂ e umidade) e, ao lado, imagem aérea indica o trajeto de coleta realizado por drone – Foto: Divulgação/RCGI USP

Big data ambiental

O Digital Amazon é um data space, ou seja, uma estrutura digital voltada à integração e ao tratamento inteligente de grandes volumes de dados complexos. No caso, integrar e organizar dados ambientais de diferentes origens e formatos — como satélites, sensores terrestres e torres de medição — em um ambiente unificado, com curadoria, rastreabilidade e interoperabilidade.

“Toda essa infraestrutura está hospedada na nuvem da AWS [Amazon Web Services], o que garante acesso remoto, escalabilidade e segurança. Isso permite análises robustas e abre caminho para o uso de inteligência artificial em buscas, inferências e tomada de decisão. Trata-se de uma aplicação concreta dos princípios de big data voltada à complexidade da floresta amazônica”, afirma José Reinaldo Silva, professor da Escola Politécnica (Poli) da USP e vice-coordenador do projeto.

Entre os próximos avanços previstos está o desenvolvimento de um visualizador intuitivo, voltado para usuários não especialistas. Como complemento às torres fixas e aos satélites, foram desenvolvidos protótipos de drones capazes de coletar dados atmosféricos em áreas remotas da floresta. A proposta é operar os drones a partir de barcaças na bacia amazônica, ampliando o acesso a regiões de difícil cobertura terrestre.

O sistema já está preparado para sincronizar com outros bancos de dados — e poderá ser integrado, futuramente, a plataformas internacionais como o Global Forest Watch. Também estão previstos relatórios periódicos com análises interpretativas, voltados à formulação de políticas públicas baseadas em evidências

José Reginaldo Silva - Foto: Marcos Santos/USP Imagens
José Reinaldo Silva, professor da Poli e vice-coordenador do projeto – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

“Nosso objetivo é oferecer uma infraestrutura robusta para que pesquisadores, gestores públicos e membros da sociedade civil possam acompanhar em detalhe o papel da floresta amazônica no balanço global de carbono”, afirma Silva. “Agora que temos uma estrutura tecnológica sólida, buscamos apoio para a continuidade e ampliação do projeto.”

Clique no player abaixo para conferir os voos experimentais com drones que enviaram dados coletados ao sistema Digital Amazon:

A plataforma, que contou em sua primeira fase com financiamento da Shell Brasil e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio da cláusula de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), envolve uma rede de instituições de pesquisa, entre elas o Laboratório de Física Atmosférica da USP, o D-Lab (Design Lab da Poli-USP), o C2D (Centro de Ciência de Dados da Poli-USP), o Departamento de Engenharia Aeronáutica Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Imazon, o MapBiomas e o  Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), sob a coordenação do RCGI-USP.

A plataforma pode ser acessada no site do Digital Amazon neste link.

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*Texto: Assessoria de Imprensa RCGI/USP