terça-feira, maio 12, 2026

Ministério do Meio Ambiente lança edital para arborizar periferias de pequenas cidades e ampliar combate ao calor extremo

FOTO: BRUNO PERES / AGÊNCIA BRASIL

Por Planeta Amazônia

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) lançou o edital “ArborizaCidades”, iniciativa voltada à ampliação da cobertura vegetal em periferias urbanas de pequenos e médios municípios brasileiros. O programa prevê investimento de R$ 19 milhões em projetos de arborização urbana com foco no enfrentamento das mudanças climáticas e na redução das desigualdades ambientais nas cidades.

O edital é direcionado a municípios com população entre 20 mil e 750 mil habitantes. As propostas poderão receber entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões para ações como aquisição de mudas, plantio e manutenção inicial das árvores. Obras de infraestrutura não serão contempladas.

As inscrições seguem abertas até 6 de julho.

Arborização como política climática

O programa integra a estratégia nacional de adaptação urbana às mudanças climáticas e está alinhado ao Plano Nacional de Arborização Urbana (PlaNAU), lançado pelo governo federal neste ano.

A proposta busca ampliar áreas verdes especialmente em regiões periféricas, onde a cobertura arbórea costuma ser menor e os efeitos das ilhas de calor são mais intensos.

Durante o lançamento, o secretário executivo do MMA, João Paulo Capobianco, destacou os impactos diretos da arborização sobre a qualidade de vida urbana.

“Já foi demonstrado claramente que áreas urbanas com cobertura arbórea acima de 40% proporcionam redução de temperatura de até 5 graus”, afirmou.

Ele também associou a iniciativa à justiça climática e social:
“O que estamos fazendo é muito mais que plantar árvores, estamos salvando vidas, promovendo inclusão social e democracia”, declarou.

Periferias mais vulneráveis ao calor

Estudos sobre clima urbano mostram que bairros periféricos costumam registrar temperaturas mais elevadas devido à baixa presença de vegetação, alta impermeabilização do solo e deficiência de infraestrutura ambiental.

Nesse contexto, a arborização passa a ser tratada como infraestrutura essencial para adaptação climática, contribuindo para reduzir ilhas de calor, melhorar a drenagem urbana e ampliar o conforto térmico nas cidades.

O PlaNAU prevê metas nacionais de ampliação da cobertura vegetal urbana até 2045, além da integração da arborização a políticas públicas de saúde, educação, mobilidade e habitação.

Soluções baseadas na natureza

O programa também reforça o uso das chamadas “soluções baseadas na natureza”, estratégia que utiliza elementos naturais para enfrentar problemas urbanos e climáticos.

Além da redução da temperatura, áreas arborizadas ajudam a diminuir enchentes, melhorar a qualidade do ar e aumentar a biodiversidade nas cidades.

Segundo o secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Adalberto Maluf, a proposta busca transformar a arborização em parte estruturante do planejamento urbano brasileiro.
“Ao ampliar a arborização e a cobertura vegetal, avançamos na promoção da biodiversidade urbana e na geração de benefícios ambientais, sociais, econômicos e climáticos”, afirmou.

Pequenas cidades no centro da adaptação climática

A escolha por municípios menores também revela uma mudança de enfoque nas políticas ambientais federais.

Historicamente, programas de adaptação climática se concentraram em grandes capitais, mas eventos extremos recentes — como ondas de calor e enchentes — ampliaram a percepção de vulnerabilidade também em cidades médias e pequenas.

Nesse cenário, o governo busca descentralizar investimentos e fortalecer a capacidade de adaptação urbana em regiões menos estruturadas.

Entre clima e desigualdade urbana

O edital evidencia como a crise climática afeta de forma desigual os espaços urbanos.

Áreas periféricas, frequentemente mais densas e com menos infraestrutura verde, concentram os maiores impactos do calor extremo e da precariedade ambiental.

Ao priorizar essas regiões, o programa conecta arborização urbana a temas como saúde pública, qualidade de vida e justiça ambiental — transformando o plantio de árvores em uma estratégia de política climática e inclusão social.