quarta-feira, junho 3, 2026

Docentes da UENF realizam paralisação em 2 de junho e reforçam mobilização em defesa da universidade pública

No próximo dia 2 de junho, os docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) realizarão uma paralisação de 24 horas como forma de protesto contra a contínua desvalorização salarial, os ataques à previdência pública e a falta de investimentos adequados nas universidades estaduais do Rio de Janeiro. A mobilização foi aprovada pela categoria em meio ao crescente descontentamento com a ausência de respostas concretas do governo estadual para demandas históricas dos servidores públicos. 

A paralisação ocorre em um contexto marcado pela corrosão do poder de compra dos salários, pelo agravamento das condições de trabalho e pelas incertezas em torno do futuro da previdência dos servidores. Além disso, há que se lembrar que a proposta do novo Plano de Cargos e Vencimentos (PCV) está tramitando e sem resolução desde maio de 2021, o que agrava o quadro de perdas salariais que já alcança mais de 60%. Para os docentes, a defesa da universidade pública passa necessariamente pela valorização de seus trabalhadores e pela garantia de financiamento adequado para as instituições de ensino superior.

A Uenf, reconhecida nacionalmente pela qualidade de sua produção científica, pela formação de recursos humanos e pela contribuição ao desenvolvimento regional, enfrenta desafios cada vez maiores para manter suas atividades acadêmicas, de pesquisa e extensão. Enquanto cresce a cobrança por resultados e inovação, persistem problemas relacionados à insuficiência de recursos e à falta de políticas efetivas de valorização dos profissionais que sustentam a universidade pública.

Como parte da programação do dia de mobilização, será realizada uma roda de conversa com o tema “Salário, Previdência e Dívida do Estado do Rio de Janeiro”, que contará com a participação de Paulo Lindesay, coordenador da Auditoria Cidadã da Dívida – Núcleo RJ. O debate ocorrerá a partir das 14 horas, na Sala de Multimídia do CCH, e buscará discutir os impactos da política de endividamento estadual sobre o financiamento das universidades públicas e dos serviços essenciais.

A atividade pretende contribuir para ampliar a compreensão sobre as escolhas econômicas e políticas que afetam diretamente a educação superior pública, ao mesmo tempo em que fortalece a construção coletiva de alternativas para a defesa dos direitos dos servidores e da população.

Mais do que uma reivindicação corporativa, a paralisação do dia 2 de junho representa um chamado à reflexão sobre o papel estratégico das universidades públicas para o desenvolvimento científico, tecnológico e social do estado do Rio de Janeiro. Em um momento de crescentes desafios para a educação pública brasileira, a mobilização dos docentes da Uenf reafirma a necessidade de fortalecer instituições que produzem conhecimento, formam profissionais qualificados e contribuem para a construção de uma sociedade mais justa e democrática.

Chega de perder, é hora de ganhar. Em defesa da Uenf, dos direitos dos servidores e da educação pública.