sexta-feira, setembro 11, 2026

Agosto foi o mês mais quente já registrado no mundo e aquecimento passa de 1,5°C, aponta observatório

Verão no Hemisfério Norte também bateu recorde de calor, e a temperatura da superfície dos oceanos chegou ao maior patamar já visto para qualquer mês do ano.

Termômetro marca 43ºC durante onda de calor na Europa, em 1º de julho de 2025 — Foto: REUTERS/Benoit Tessier

Agosto de 2026 foi o mês mais quente já registrado no planeta, segundo o observatório europeu Copernicus. O relatório foi divulgado nesta quinta-feira (10).

O mês registrou uma temperatura de 1,65°C acima da média pré-industrial, marcando o primeiro mês acima de 1,5°C desde novembro de 2025.

  • O 1,5°C é o limite que a ciência trata como crítico. Definido pelo Acordo de Paris, esse patamar funciona como uma linha de segurança. Cada vez que um mês isolado ultrapassa essa marca, a comunidade científica interpreta como um sinal de alerta para os riscos de extremos no mundo.

O boletim mostrou que o verão boreal, vivido na parte do planeta entre os meses de junho, julho e agosto foi, globalmente, tão quente quanto o de 2024, até agora o mais quente da série histórica.

Na Europa, o trimestre ficou em terceiro lugar entre os mais quentes já registrados para o continente como um todo, mas foi o mais quente de todos os tempos para a Europa Ocidental especificamente.

E isso teve consequências graves. Bélgica, Grécia, Espanha, França e Portugal enfrentaram incêndios de grandes proporções, alimentados pela combinação de calor intenso e baixa umidade — outro efeito associado às mudanças climáticas — que obrigou cidades inteiras a serem evacuadas às pressas.

A onda de calor provocou mais de 10 mil mortes em excesso no período em todo o continente, segundo dados da EuroMOMO, rede de monitoramento apoiada pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças e pela Organização Mundial da Saúde. Mais de 9 mil dessas mortes envolveram pessoas com 65 anos ou mais, o grupo mais vulnerável a temperaturas extremas.

Oceanos também acumulam recordes

Além do ar à superfície, o boletim aponta recorde na temperatura da superfície do mar nas áreas oceânicas fora das regiões polares. Em agosto, essas águas atingiram a marca mais alta já registrada não apenas para o mês, mas para qualquer mês do calendário desde o início da série histórica do Copernicus — um patamar que os dados climáticos remontam a cerca de 125 mil anos.

O fenômeno ocorre em paralelo a um El Niño particularmente intenso, que amplifica o aquecimento das águas superficiais em várias regiões do planeta.

E isso também pode trazer consequências para o planeta. Todo esse calor se converte em energia que, depois, intensifica fenômenos como chuvas, tornados e furacões pelo mundo.

O que significa um mês ultrapassar o limite de 1,5°C?

O 1,5°C é o limite que a ciência trata como crítico. Definido pelo Acordo de Paris, em 2015, esse patamar representa o quanto a temperatura média do planeta pode subir em relação à era pré-industrial sem que os riscos climáticos se tornem descontrolados.

  • Quando um único mês ultrapassa essa marca, isso não significa que o mundo tenha rompido o acordo — o compromisso assumido pelos países se refere à média de temperatura ao longo de 20 anos, não a meses isolados.

Mas cada ocorrência funciona como um termômetro do que está por vir: pesquisadores já projetavam, quase uma década atrás, que a superação sustentada desse limite viria acompanhada de extremos de chuva, secas mais longas e aumento de mortes associadas ao calor.

Agosto de 2026 é apenas o segundo mês, desde que o Copernicus começou a monitorar esse indicador, a registrar temperatura acima de 1,5°C — o primeiro foi novembro de 2025. Em 2024, a média anual global já havia superado esse mesmo patamar, o que reforça a leitura de que esses episódios estão deixando de ser exceção.