
Por France Presse para “G1”
Vista aérea mostra carro em estrada cercada por flores no deserto do Atacama, perto de Copiapó, no Chile, em 18 de setembro de 2026. — Foto: Javier Torres/AFP
Um manto colorido e incomum de flores cobre o deserto do Atacama, um dos lugares mais áridos da Terra, depois que o fenômeno climático El Niño provocou chuvas de inverno abundantes no norte do Chile.
Sob o solo desértico, escondem-se durante todo o ano milhões de sementes e bulbos de cerca de 200 espécies que aguardam precipitações para germinar, entre elas os suspiros brancos e as patas de guanaco, que tingem grandes extensões de violeta.
Dezenas de turistas param seus veículos à beira da estrada para tirar fotos da paisagem vibrante que, com sorte, pode incluir um arco-íris misturado com o vermelho intenso do entardecer.
As chuvas desse inverno austral ultrapassaram os 180 milímetros em alguns pontos da região, “volumes muito altos que nunca tinham sido registrados”, explica César Pizarro, chefe da seção de conservação da biodiversidade da Corporação Nacional Florestal chilena (Conaf) no Atacama, à AFP.
A água penetrou mais fundo na areia e ativou mais vida neste parque natural, localizado cerca de 800 quilômetros ao norte de Santiago, disse.
Segundo a Conaf, o deserto florido, como é conhecido esse evento natural, atingirá, neste ano, seu máximo esplendor em outubro, com uma extensão de cerca de 15 mil hectares, um dos mais importantes da história.
“O fenômeno El Niño deste ano, embora haja uma grande preocupação (…) dos impactos que está provocando em muitos lugares, também gera vida ou ativa a vida”, diz Pizarro.
Uma intensa evaporação de água no Pacífico, em frente às costas do Peru, provocou chuvas torrenciais sobretudo no norte do Chile, entre 16 e 22 de julho, adverte. O forte temporal deixou um total de 13 mortos e cerca de 4 mil moradias destruídas ou com danos graves, segundo as autoridades.
O El Niño, uma variação natural do clima que ocorre a cada dois a sete anos, eleva as temperaturas superficiais no centro e leste do Pacífico equatorial, o que gera mudanças globais em ventos e chuvas, assim como condições meteorológicas erráticas.
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Flores cobrem parte do deserto do Atacama, em Copiapó, no Chile, em 18 de setembro de 2026. — Foto: Javier
Segundo Pizarro Gacitúa, o deserto florido que se expande entre dunas e planícies é “mais que flores“. Para que elas existam, são necessários insetos, caracóis, aves, répteis e mamíferos.
As abelhas poliniza as plantas. Os besouros se alimentam de seus restos e fertilizam o solo com seus excrementos, ricos em nitrogênio e fósforo, para a próxima chuva.
Diante da chegada de milhares de turistas à área, Pizarro espera que os visitantes não pisem nas plantas, que usem as rotas estabelecidas e que não levem animais para a área, por medo de que transmitam doenças à fauna local.
“Para nosso país, o deserto florido é um orgulho, é parte do nosso patrimônio”, diz entre brotos amarelos que se erguem na areia. “Embora haja vários desertos que florescem quando chove, o alcance territorial e a diversidade de espécies que existem aqui são únicas”.
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Arco-íris aparece sobre o deserto do Atacama, perto de Copiapó, no Chile, em 17 de setembro de 2026. — Foto: Javier Torres/AFP
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Manchas de flores silvestres cobrem trechos do deserto do Atacama, perto de Copiapó, no Chile, em 18 de setembro de 2026. — Foto: Javier Torres/AFP
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Arco-íris aparece sobre área florida do deserto do Atacama, perto de Copiapó, no Chile, em 17 de setembro de 2026. — Foto: Javier Torres/AFP
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Flores cobrem o deserto do Atacama, perto de Copiapó, no Chile, sob um arco-íris em 17 de setembro de 2026 — Foto: Javier Torres/AFP
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Cactos aparecem atrás de flores silvestres no deserto do Atacama, perto de Copiapó, no Chile, em 18 de setembro de 2026. — Foto: Javier Torres/AFP
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Caminhonete passa por estrada cercada por flores silvestres no deserto do Atacama, perto de Copiapó, no Chile, em 17 de setembro de 2026. — Foto: Javier Torres/AFP









