terça-feira, agosto 25, 2026

Manejo, restauração e educação ambiental pautam participação brasileira na COP17

Conferência da ONU, realizada na Mongólia, discute respostas à desertificação, à degradação da terra e aos efeitos da seca

A COP17 coloca em debate questões relacionadas à degradação da terra, ao manejo sustentável das paisagens, à segurança hídrica e alimentar e aos mecanismos internacionais de cooperação e financiamento voltados às regiões afetadas pela desertificação - Foto: Ricardo Araujo/ASA Brasil

Manejo e restauração de florestas em terras secas, recuperação de áreas degradadas, educação ambiental e estratégias de enfrentamento aos efeitos da seca estão entre os temas discutidos na 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (COP17 da UNCCD), realizada entre 17 e 28 de agosto de 2026, em Ulaanbaatar, na Mongólia.

A conferência reúne representantes dos países que integram a Convenção, além de organizações internacionais, sociedade civil, setor privado, comunidade científica, povos indígenas e comunidades locais.

Ao longo de duas semanas, a programação aborda temas relacionados à desertificação, à degradação da terra e aos efeitos da seca, incluindo restauração de áreas degradadas, resiliência à seca, gestão da água, sistemas alimentares, saúde do solo, financiamento, ciência, inovação e manejo sustentável da terra.

O Pavilhão Brasil, organizado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Ministério das Relações Exteriores (MRE) e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), recebe atividades voltadas ao intercâmbio de experiências e à cooperação internacional sobre desertificação, degradação da terra e seca.

PAB Brasil

Entre os temas abordados na primeira semana da conferência esteve o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB Brasil). O PAB Brasil é um instrumento de planejamento voltado à prevenção e ao combate à desertificação e à mitigação dos efeitos da seca. O Plano contempla medidas relacionadas à conservação e recuperação dos recursos naturais, adaptação às mudanças do clima, desenvolvimento sustentável e participação das populações que vivem em áreas suscetíveis à desertificação.

O documento também considera diferentes modos de vida, conhecimentos tradicionais e formas comunitárias de gestão do território na formulação e implementação de ações destinadas às áreas mais vulneráveis à desertificação, à degradação da terra e aos efeitos da seca.

Recaatingar

O Programa Recaatingar também integrou as discussões realizadas durante a conferência. A iniciativa é voltada à recuperação de áreas degradadas da Caatinga, à restauração da vegetação nativa e ao uso sustentável dos recursos naturais.

Criado em junho de 2026, o programa integra a Política Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca e tem como meta contribuir para a recuperação de 10 milhões de hectares de terras degradadas no bioma até 2045.

O Recaatingar considera práticas e conhecimentos desenvolvidos por povos e comunidades do Semiárido, incluindo experiências de conservação e restauração realizadas por comunidades de fundo e fecho de pasto na Bahia.

Florestas em terras secas

Experiências de manejo e restauração de florestas em terras secas no Brasil, Equador e Peru foram apresentadas durante as sessões. Os debates trataram da restauração de terras degradadas, do manejo de sistemas pastoris e do acesso a mecanismos de financiamento adequados às características dessas estratégias.

A programação incluiu os painéis “Protocolos de Educação Ambiental relacionados às secas, calor intenso e outros eventos climáticos extremos”, ⁠Manejo e Restauração de Florestas em Terras Secas: Propostas para Mitigar e Reverter a Degradação da Terra na América Latina”, “⁠Financiamento para o Manejo e Restauração de Florestas em Terras Secas em Países da América Latina” e “⁠Fortalecimento da pauta de cidadania e educação ambiental nas esferas de negociações internacionais – apoio à implementação das decisões da COP.”

Participam das atividades, entre outros representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a secretária nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável, Edel Moraes; a coordenadora-geral do Departamento de Educação Ambiental e Cidadania, Isis Akemi Morimoto; a coordenadora-geral de Combate à Desertificação, Sandra Afonso; e o diretor do Departamento de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca, Alexandre Pires.

Sobre a COP17

A COP17 é o principal espaço de decisão da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação. Nesta edição, as negociações e os diálogos internacionais tratam, entre outros temas, de financiamento para restauração da terra e resiliência à seca, manejo sustentável dos solos e da água, recuperação de pastagens e áreas degradadas e da relação entre ciência, tecnologia e políticas públicas.

A programação está organizada em torno de quatro dias temáticos: financiamento; água; terra e pessoas; e sistemas alimentares e saúde do solo.

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