Rio de Janeiro, 31 de março de 2026 – A Reserva Ambiental Fazenda Caruara S.A. formalizou a renúncia à presidência do Conselho Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMMADS) de São João da Barra (RJ) para o biênio 2026-2028. A informação consta em comunicado da própria instituição.
A saída ocorre em meio a questionamentos apresentados por entidades da sociedade civil sobre a composição do conselho. Segundo essas entidades, foi encaminhada uma representação ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), apontando possíveis irregularidades na ocupação de cadeiras destinadas à sociedade civil.
De acordo com os documentos apresentados pelas entidades, duas empresas teriam passado a ocupar assentos no colegiado em vagas que, conforme o regimento interno, seriam destinadas a organizações sem fins lucrativos. Ainda segundo os autores da representação, haveria vínculo societário entre as empresas citadas, o que levantaria dúvidas sobre a diversidade de representação no conselho.
A pressão sobre a gestão também inclui questionamentos de caráter técnico. Um estudo atribuído à Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), mencionado pelas entidades, aponta críticas ao modelo de governança ambiental, social e corporativa (ESG) adotado na região, com destaque para impactos sociais e ambientais no 5º Distrito de São João da Barra.
Entre os pontos citados pelas entidades e pelo estudo estão relatos de conflitos envolvendo atividades de pesca na Lagoa de Iquipari, demandas relacionadas a reassentamentos e indenizações, além de preocupações com processos ambientais como salinização da água e erosão costeira. As informações são apresentadas no âmbito das denúncias e análises mencionadas.
Em nota, a Reserva Caruara afirma que a decisão de renunciar à presidência foi uma “medida prudente” diante do cenário de questionamentos. Segundo a instituição, houve “desgaste institucional” e críticas que teriam extrapolado o ambiente do conselho.
A empresa também destaca ações desenvolvidas ao longo de sua atuação, incluindo projetos de restauração ambiental, iniciativas de pesquisa científica e investimentos sociais no município.
Apesar da renúncia à presidência, a Reserva Caruara informou que permanece como integrante do CMMADS, defendendo a importância do conselho como espaço de participação.










