Contudo, a Medicina Veterinária vive uma mudança de paradigma. Diretrizes recentes da Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais (WSAVA) indicam que a decisão de esterilizar não deve ser automática, mas sim baseada em uma avaliação individualizada que pesa os riscos e benefícios para a saúde de cada animal a longo prazo.
Neste contexto, novas e modernas opções surgem no marcado como alternativas à castração cirúrgica.
A deslorelina, um fármaco seguro e utilizado há mais de 15 anos na Europa como uma alternativa à castração cirúrgica, tem mostrado diversas vantagens, inclusive servindo como um “teste” prévio ao procedimento definitivo de remoção cirúrgica das gônadas, como explicaremos em detalhes nesta reportagem.
A questão da castração cirúrgica
Entende-se por esterilização cirúrgica a remoção das gônadas de machos e fêmeas (testículos e ovários), eliminando a produção de hormônios sexuais.
Nas fêmeas, a técnica tradicional remove ovários e útero (ovariohisterectomia), embora novas diretrizes venham recomendando a ovariectomia (apenas a remoção dos ovários) como o método preferencial quando a cirurgia é indicada, por ser menos invasiva e apresentar menos complicações.
No entanto, a remoção permanente dos hormônios gonadais não é isenta de falhas e riscos à saúde.
Estudos apontam que a gonadectomia, especialmente em cães de raças grandes e gigantes, está associada a um aumento no risco de obesidade, distúrbios ortopédicos (como displasia coxofemoral e ruptura do ligamento cruzado cranial), incontinência urinária e certos tipos de neoplasias, como osteossarcoma, linfoma e hemangiossarcoma.
No caso dos cães, a idade do animal no momento da castração também é um fator que pode determinar a ocorrência de uma maior prevalência de algumas doenças ao longo da vida, não sendo possível de acordo com os estudos atuais estabelecer uma idade ideal de castração que seja único para todos os casos.
O sexo, raça e o estilo de vida do animal são fatores que influenciam nessa decisão.
Além disso, a crença popular de que a castração resolve problemas comportamentais é contestada. Em machos, por exemplo, a castração pode reduzir a marcação de território e a fuga, mas raramente resolve a agressividade por medo; em alguns casos, pode até piorá-la.
A ascensão dos métodos conservativos
Diante das evidências de que os hormônios reprodutivos desempenham papéis cruciais no desenvolvimento e na saúde geral — e não apenas na reprodução —, métodos conservativos e não cirúrgicos ganham destaque.
Hoje, existem alternativas cirúrgicas que preservam os hormônios, como a histerectomia (remoção do útero mantendo os ovários) e a vasectomia.
Essas técnicas impedem a reprodução, mas mantêm o sistema endócrino do animal intacto, evitando as consequências negativas da falta de hormônios no metabolismo e no sistema esquelético.
Ainda assim, são técnicas invasivas, que exigem cuidados pós operatórios e representam alguns riscos.
Além das opções cirúrgicas “poupadoras de ovários/testículos”, a ciência avançou significativamente nos métodos não cirúrgicos. Inicialmente, a castração química através de injeções intratesticulares (como cloreto de cálcio ou gluconato de zinco) eram a única alternativa de esterilização permanente para machos sem envolver cirurgia.
Considerado um método barato e adequada para programas de controle populacional em larga escala, causa dor durante e após a aplicação, exigindo monitoramento pós-aplicação.
Texto escrito por VIRBAC










