segunda-feira, abril 6, 2026

Porongas na cabeça simbolizam resistência na marcha dos povos da floresta em Belém

Povos da floresta marcharão com porongas acesas na cabeça, em ato simbólico pela defesa da Amazônia e pela justiça climática, durante a COP30 em Belém

Mais de mil lideranças extrativistas, representando todos os biomas do Brasil, marcharão nesta quinta-feira (13/11), em Belém (PA), em defesa da floresta viva, dos direitos territoriais e da responsabilidade climática global.

O ato, chamado “Porongaço dos Povos da Floresta”, ocorre paralelamente à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30).

A concentração está marcada para as 17h, na Praça Eneida de Moraes, bairro Pedreira, entre a avenida Pedro Miranda e a avenida Alcindo Castelo Branco.

A marcha sairá às 18h em caminhada pacífica até a Aldeia Cabana, na avenida Pedro Miranda, onde será entregue a Carta Política das Populações Extrativistas, documento que reúne propostas e reivindicações dirigidas às autoridades nacionais e internacionais.

O evento celebra também os 40 anos do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) e reunirá lideranças indígenas, quilombolas, ribeirinhas e parceiros internacionais.

Porongas: luz resistência e esperança

Os participantes caminharão com uma poronga — lamparina tradicional de seringueiros — acesa com óleos da floresta, como andiroba e copaíba, simbolizando luz, resistência e esperança.

Durante o percurso, os manifestantes entoarão cantorias, poesias e rezas que expressam espiritualidade, arte e política.

“O ‘Porongaço dos Povos da Floresta’ nasce como um ato político. É a marcha das luzes que ecoa o legado de Chico Mendes e a sabedoria ancestral de milhares de homens e mulheres que seguem iluminando o caminho da vida na Amazônia”, afirmou Letícia Moraes, vice-presidente do CNS.

Segundo Letícia, a mobilização é um lembrete ao mundo de que não há soluções reais para a crise climática sem justiça social e sem a presença dos povos que vivem da floresta.

“Hoje, o Porongaço resgata esse símbolo como metáfora da esperança, da coletividade e da luta. É um gesto de resistência que reafirma: a floresta está viva porque seus povos cuidam dela”, concluiu.

A poranga, utilizada historicamente para iluminar os caminhos dos seringueiros, também remete aos “empates” — forma de resistência pacífica criada nas décadas de 1970 e 1980 contra o desmatamento e a grilagem na Amazônia.